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Suíça fecha uma válvula de escape para os mercados PDF Print E-mail
Wednesday, 07 September 2011 09:59

O Banco Nacional Suíço (BNS) introduziu ontem um limite mínimo para a taxa de câmbio do franco suíço relativamente ao euro de 1,200 (1 euro = 1,200 francos). A motivação para esta decisão foi o facto de o franco ter chegado perto da paridade relativamente ao euro em Agosto (1,045), muito abaixo dos 1,520 que correspondem ao seu valor médio desde a introdução do euro, e após uma ligeiríssima desvalorização no final de Agosto, se encontrar em Setembro de novo numa trajectória descendente. Esta valorização do franco (desvalorização do euro), que está relacionada com o estatuto do franco de moeda-refúgio, está a criar sérios riscos de recessão e deflação na Suíça, o que obrigou o BNS a agir. Para defender este limite o BNS está preparado para comprar moeda estrangeira em quantidades ilimitadas.

Este tipo de intervenção apresenta alguns riscos para a economia Suíça. Primeiro, a tentativa de evitar a valorização do franco suíço pode conduzir a um aumento da inflação. No entanto, é improvável que esse problema se materialize nos próximos meses ou mesmo anos. Por um lado, o valor de 1,200 continua a ser muito abaixo da taxa de câmbio de equilíbrio que se deve situar perto dos 1,500. Por outro lado, as economias mundiais estão a dar sinais de um arrefecimento significativo, o que deverá ter impacto na economia Suíça através das exportações, que são a sua principal fonte de crescimento.

Segundo, a intervenção poderá conduzir a perdas significativas para o BNS, que é em parte detido pelos cantões suíços e em parte por investidores privados, o que por sua vez poderá conduzir a pressões para parar esta política cedo de mais e cristalizar as perdas. Este problema é mais sério dado que o BNS sofreu perdas significativas nos últimos anos com a tentativa de controlar a apreciação do franco. Ainda assim, é improvável que o BNS ceda a essas pressões nos próximos meses e as perdas poderão ser limitadas se os mercados aceitarem este limite e procurarem outros activos para servir de refúgio.

Se esta política tiver sucesso, então o principal desafio é para os mercados internacionais. Por um lado, ao mesmo tempo que as incertezas aumentam relativamente ao crescimento nos próximos meses e a crise de dívida se aprofunda na Europa, os mercados perderam o acesso a um dos refúgios que sempre utilizaram e que tem servido de válvula de escape para os fluxos financeiros internacionais. Os investidores irão por isso procurar novo refúgio em moedas como o yen e outros activos como o ouro, contribuindo para sua valorização para lá do que é razoável. Por outro lado, a acção do BCE poderá conduzir outros Bancos Centrais cujas moedas são consideradas de refúgio a tomarem a mesma atitude, aumentando a intensidade da "guerra" cambial a que se tem assistido e contribuindo para uma redução do comércio internacional.

O estatuto da Suíça como país de refúgio (político, cambial) dá-lhe uma importância muito maior do que a simples aritmética do seu peso no PIB ou população mundiais. A acção do BNS, que é totalmente compreensível e até correcta na defesa dos interesses da economia Suíça, representa no entanto um risco adicional significativo para a economia mundial.

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