Macrometria

  • Decrease font size
  • Default font size
  • Increase font size
Home Internacional Os desafios de Christine Lagarde
Os desafios de Christine Lagarde PDF Print E-mail
Wednesday, 29 June 2011 10:59

O conselho de administração do Fundo Monetário Internacional elegeu ontem a ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, como directora geral do FMI. A nova directora-geral enfrenta agora uma série de desafios que poderão marcar de forma significativa o desenvolvimento económico mundial.

Grécia e países periféricos

O FMI tem-se mostrado, sob a direcção de John Lipsky, mais contundente relativamente à Grécia do que tinha sido sob a direcção de Dominique Strauss-Khan. Por exemplo, o Fundo tornou o desembolso da próxima tranche do pacote de ajuda dependente da aprovação pelo Parlamento de novas medidas de austeridade. Apesar de ser provável que o Parlamento aprove essas medidas nas próximas horas, limitando assim o risco de default no curto prazo, a situação nos próximos doze meses mantém-se crítica, devido às dificuldades que a Administração Grega tem tido em reduzir efectivamente o défice primário, que são em parte fruto da ineficiência mas também da profunda recessão económica e da violenta agitação social. O FMI tem agora que, juntamente com os Governos Europeus, compreender o que é que falhou até agora e procurar meios para ajudar a Grécia a sair deste ciclo vicioso que parece interminável, o que poderá passar por medidas como a aceleração da distribuição dos fundos estruturais e a redução da comparticipação do Estado, a reestruturação da dívida Grega, a intervenção do FMI e da Comissão na administração fiscal, etc.

Nos restantes países periféricos, os esforços principais deverão ser a nível da prevenção, para evitar que Portugal e a Irlanda tomem o mesmo caminho que a Grécia. A supervisão da implementação do programa de austeridade para Portugal poderá assim ser mais intensa do que foi no início do programa de ajuda à Grécia.

Persistentes desequilíbrios económicos mundiais

A crise da dívida dos países periféricos é apenas uma das facetas de um problema mais sério: a persistência dos desequilíbrios económicos mundiais, em particular o fosso que separa as economias deficitárias (elevada dívida pública e privada) como é o caso dos Estados Unidos e dos países Europeus periféricos, e os países excedentários, tal como a Alemanha e a China. O papel do FMI tradicionalmente tem sido de criticar os países deficitários e , quando obrigado a intervir, implementar uma série de medidas para forçar a redução sigificativa do endividamento. No entanto, a anemia da procura interna em certos países excedentários tem igualmente sido um factor de desequilíbrio. Isto é especialemnte verdade no caso da China, que mantém a sua taxa de câmbio face ao dólar artificialmente baixa de forma a promover as exportações e limitar as importações. Christine Lagarde deverá também alertar para estes desequilíbrios. 

O papel dos países emergentes

A eleição de Christine Lagarde foi unânime mas controversa, nomeadamente nos países emergentes que nos últimos anos têm visto a sua importância económica aumentar sem que isso tenha sido reflectido nas instituições internacionais, tal como o FMI e o Banco Mundial. O desafio para o FMI é começar a alterar essa situação. Não só dando mais importância aos países emergentes em lugares de topo dentro do FMI, como acabando com a tradição vigente de o director-geral ser sempre um Europeu.

 

  

 

Subscreva o Comentário Semanal sobre economia

Registe-se aqui para receber o comentário semanal gratuito da Macrometria sobre economia portuguesa e internacional