| Crise Grega—Alemanha e BCE divergem nas propostas de reestruturação da dívida |
|
|
|
| Wednesday, 08 June 2011 17:56 |
|
Esta Quarta-feira, o ministro das Finanças Alemão Wolfgang Schäuble, anunciou que a Alemanha quer envolver de forma mais significativa os investidores privados na crise Grega, pedindo a extensão da maturidade dos títulos existentes por mais sete anos como contrapartida de um novo pacote de ajuda financeira. As principais vantagens desta proposta são, por um lado, reduzir os esforços que têm de ser feitos pelos contribuintes Europeus, nomeadamente os Alemães, para salvar a Grécia. Do ponto de vista de política interna, uma reestruturação deste tipo permitiria convencer mais facilmente a população Alemã a aceitar a ideia de um novo pacote de apoio financeiro à Grécia. Por outro, envolver os investidores poderia reduzir o incentivo para os Estados-membros da Zona Euro de agirem como “passageiros clandestinos” no futuro, isto é, beneficiar das taxas de juro reduzidas devido à ortodoxia orçamental Alemã, sem fazer qualquer esforço para manterem o controle das suas próprias contas públicas. No entanto, esta proposta acarreta riscos significativos. Com efeito, a extensão de maturidade seria vista pelas agências de notação e pelos mercados como um evento de crédito, isto é um evento que implica alteração das condições dos títulos de dívida, ou seja, uma forma “leve” de default. Esta situação poderia ainda ter um efeito de contágio nos restantes países periféricos, já que abriria as portas para a reestruturação da dívida Irlandesa e Portuguesa, mas também ter um efeito significativo no sector financeiro dos países que detêm títulos de dívida dos países periféricos, nomeadamente o sector financeiro Alemão. É por este motivo que o BCE se tem oposto a uma reestruturação. No entanto, no início desta semana, parecia estar a considerar aceitar um plano em que os detentores de dívida Grega se comprometeriam a comprar de novo dívida quando os títulos na sua posse chegassem a maturidade. A forma que tomaria esse compromisso é importante para se perceber se o plano conseguiria efectivamente aliviar as exigências de pagamento da dívida Grega, no entanto não seria considerado um evento de crédito evitando assim um impacto muito negativo na economia Europeia. Estas propostas estarão provavelmente em cima da mesa na próxima reunião de 20 de Junho. Mas é improvável que se chegue a um acordo tão rapidamente. Enquanto a incerteza durar, os mercados continuarão a punir severamente as obrigações Gregas, Irlandeses e Portuguesas. |