Macrometria

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Crise económica Portuguesa
A economia portuguesa na actualidade é marcada por uma crise financeira sem precedentes. Esta secção comenta os seus momentos críticos.


Comentário especial: Orçamento do Estado 2011 acalma mercados, mas por quanto tempo?
Tuesday, 19 October 2010 17:34
O OE 2011 deverá servir para acalmar os mercados nos próximos tempos. No entanto, os riscos de derrapagem do lado da despesa, associados às fracas perspectivas de crescimento da economia Portuguesa, poderão conduzir a mais cortes de rating e a novas dificuldades de financiamento da dívida pública.
 
Novas medidas de austeridade acalmam os mercados...para já
Thursday, 30 September 2010 08:49

Perante os custos crescentes de financiamento da dívida pública portuguesa nos mercados e o apelos de diferentes instituições internacionais, o Governo anunciou ontem uma série de novas medidas de austeridade para 2010 e 2011 (ver tabela em anexo). O governo prevê cortes na despesa da ordem de 2% do PIB e espera arrecadar cerca de 1% do PIB do lado das receitas. Para além destas medidas o governo está a negociar a transferência do Fundo de Pensões da PT (avaliado em cerca de 2,6 milhões de euros) para o Estado.

Algumas das medidas apresentadas mostram um esforço de contabilidade "criativa" para conseguir atingir os objectivos previstos no PEC. É o caso da redução das indemnizações compensatórias , que mostram que o Estado continua a usar a desorçamentação, isto é a passar para as empresas públicas uma fatia cada vez maior dos custos do serviço público por elas prestados, ou a transferência do Fundo de Pensões da PT. Algumas medidas, como por exemplo o congelamento do investimento em 2010 e corte em 2011, requerem mais explicações para serem credíveis. Outras, parecem aleatórias, por exemplo, porque é que as pensões mais elevadas não são sujeitas a reduções, como no caso dos salários? No entanto, algumas medidas denotam um esforço genuíno de contenção da despesa, nomeadamente os cortes na massa salarial e o congelamento das pensões. Apesar do corte do rating de Espanha pela Moody's e a recapitalização do Banco Anglo Irish pelo governo Irlandês anunciados ontem poderem vir a afectar o mercado Português nos próximos dias, estas medidas severas serviram para acalmar para já os mercados relativamente à dívida Portuguesa. A diferença entre os juros da Obrigações do Tesouro a 10 anos Portuguesas e os Bunds Alemães já desceu hoje para cerca de 4,2%, menos 20 pontos base do que pico atingido esta Terça-feira.

No entanto, para a redução do custo da dívida ser mais significativo e sustentável, é necessário que estas medidas sejam efectivamente implementadas o mais rapidamente possível e que comecem a produzir efeitos na execução orçamental do Estado. Com efeito, um dos principais motivos para o recente aumento dos spreads da dívida portuguesa foi o facto de as medidas anunciadas em Maio não terem tido um impacto significativo na execução orçamental.

No médio prazo, outro factor que irá afectar a capacidade de pagamento da dívida é o crescimento da economia. As medidas anunciadas hoje irão sem dúvida contribuir para a redução da procura interna, pelo que a recuperação fica altamente dependente do comércio externo. É por isso necessário o OE 2011 inclua medidas que promovam a competitividade das empresas Portuguesas. 

Finalmente, as medidas anunciadas hoje são de emergência e não são sustentáveis no longo prazo, nomeadamente o aumento da taxa do IVA de 21% para 23% ou os cortes salariais e congelamento das pensões. Para pôr as contas públicas Portuguesas num caminho de saneamento sustentável, é fundamental o Governo, a Oposição e os cidadãos em geral lancem um debate e façam uma análise objectiva do que são as principais funções do Estado, de forma a permitir uma restruturação dos serviços e instituições. Como foi visível nas últimas décadas, enquanto esse trabalho não for feito, a tendência será para uma subida da dívida, salvo em anos de crescimento excepcional, o que deixa o país demasiado vulnerável às flutuações do preço da dívida.

 
Corte da notação da dívida Portuguesa tem pouco impacto nos spreads
Wednesday, 24 March 2010 17:21

A agência Fitch cortou a notação da dívida da República Portuguesa de AA para AA- com outlook negativo. O principal motivo para este corte foi a deterioração acentuada do défice em 2009 para 9,3% do PIB relativamente às próprias previsões do Governo, que em Novembro apontavam para um défice perto de 6%. No que diz respeito ao PEC, a Fitch esclareceu que considera o programa globalmente credível, nomeadamente no que diz respeito às previsões macroeconómicas. No entanto, avalia como negativo o facto de o principal esforço de redução do défice ocorrer sobretudo nos últimos anos do PEC. Esta notícia não apanhou os mercados de surpresa pelo que o spread entre as Obrigações Portuguesas a 10 anos e os Bunds Alemães desceu de 1,25% ontem para 1,23% a meio da tarde de hoje.

Avaliação da Macrometria:

  1. A notação da Fitch para Portugal está agora ao mesmo nível da notação da Moody's (Aa2) e é superior à da S&P (A+). Por isso, esta redução não altera significativamente a percepção dos mercados relativamente ao risco de default da dívida Portuguesa.
  2. O principal impacto foi no mercado cambial, onde o euro continuou a depreciar face às moedas dos seus principais parceiros comerciais. No entanto, esta depreciação tem de ser vista no contexto geral de incerteza relativamente ao futuro da Zona Euro e à sua capacidade para resolver os problemas dos países em risco de default.
  3. A três principais agências de notação têm agora um outlook negativo para Portugal. A eventual não aprovação do PEC no final deste mês poderia conduzir a um outro corte na notação, porque poria em causa a percepção das agências de que existe um consenso político para sanear as contas públicas. No entanto, o momento mais decisivo para a notação da dívida Portuguesa será em Outubro, quando já houver dados suficientes sobre o desempenho da economia Portuguesa na primeira metade do ano e o Governo entregar o OE2011.

 

 
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