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Home Crise económica Portuguesa Comentário especial: plano de reestruturação para a Grécia precipita corte de rating em Portugal
Comentário especial: plano de reestruturação para a Grécia precipita corte de rating em Portugal
Wednesday, 06 July 2011 08:08

A agência de notação financeira Moody's cortou cortou ontem à noite o rating de Portugal de Baa1 para Ba2, o equivalente nas outras principais agências de passar de BBB+ para BB. Segundo a agência, as perspectivas mantém-se negativas, o que significa que poderá haver mais cortes num futuro próximo. Com esta redução, a Moody's põe a dívida Portuguesa na categoria de "lixo".

O principal motivo para a redução do rating, segundo um comunicado da agência, é a probabilidade crescente de Portugal ser incapaz de se financiar nos mercados de capitais a taxas de juro sustentáveis a partir da segunda metade de 2013 e que uma segunda ronda de apoio financeiro necessite a participação dos investidores privados. Com efeito, a Moody's observa que os líderes políticos Europeus estão cada vez mais preocupados com o facto de a dívida Grega detida por investidores privados estar a passar para o balanço do sector público e receia que a participação do sector privado poderá ser uma pré-condição em futuras rondas de financiamento, mesmo no caso de Portugal. Esta situação poderá reduzir o apetite dos invetidores por dívida Portuguesa no futuro.

A Moody's cita outros factores para a redução do rating, nomeadamente os receios de que Portugal não consiga estabilizar a sua dívida no prazo acordado com a Comissão, o BCE e o FMI. No entanto, com este comunicado, a agência torna muito claro que as opções em cima da mesa para a reestruturação da dívida Grega irão ter consequências nos ratings, não só da Grécia, mas igualmente nos países mais fragilizados da periferia.

Esta redução do rating é significativa, não só porque pode obrigar ao pagamento imediato de linhas de crédito existentes ao sector privado e ao sector público que sejam dependentes do rating da República, mas também porque, se for seguida pelas outras agências de notação financeira, pode obrigar o BCE a alterar o requisito mínimo para aceitar as Obrigações Portuguesas como colateral nas operações de refinanciamento.

Para a posição da Moody's se alterar, pelo menos para retirar o outlook negativo, será necessário uma execução orçamental impecável. Em particular, cortes significativos na despesa no último trimestre do ano (no terceiro trimestre será difícil obter uma diminuição significativa da despesa devido aos pagamentos em atraso), a implementação escrupulosa do memorando de entendimento e uma redução do défice significativa, de preferência mais importante do que o que foi acordado com o BCE, Comissão Europeia e FMI.

 

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