| Comentário especial - crise política cria oportunidade para reflectir sobre futuro de Portugal |
| Wednesday, 23 March 2011 22:04 |
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A demissão do Primeiro Ministro na sequência da crise política das últimas semanas, vem a más horas para a economia Portuguesa. Os mercados têm castigado as obrigações Portuguesa severamente nos últimos dias. No que diz respeito a factores externos, os mercados têm reagido com algum nervosismo esta semana à perspectiva de aprovação do acordo sobre um mecanismo permanente de apoio da Zona Euro que obrigará os detentores de Obrigações de Estado a partilharem os custos em caso de uma falência. Na frente interna, as dúvidas relativas ao valor exacto do défice em 2010 têm contribuído para aumentar a desconfiança relativamente a Portugal. A incerteza provocada pela crise política e o subsequente pedido de demissão do Primeiro Ministro deverá assim contribuir para aumentar o nervosismo, com consequências óbvias para a capacidade de financiamento do Estado Português e da economia em geral. Ainda assim, o impacto desta crise deverá ser relativamente limitado. Primeiro, os mercados deverão ter incorporado a possibilidade de demissão do PM já há vários dias nos preços das Obrigações Portuguesas. Segundo, é agora provável que o BCE volte comprar com mais regularidade títulos de dívida Portuguesa, o que deverá contribuir para amenizar o impacto da crise, já que, se o Presidente da República decidir convocar eleições antecipadas, entrará em funcionamento um Governo de gestão que não poderá negociar o pedido de apoio financeiro ao Fundo de estabilização financeira. Neste cenário difícil mas sem prespectivas de uma deterioração significativa, é importante que os partidos aproveitem as semanas de preparação que têm pela frente para pensar como será possível restituir credibilidade a Portugal junto dos mercados. Não só pela sua determinação em implementar medidas de austeridade fundamentadas em reduções sustentadas da despesa pública, mas também pela elaboração de políticas que permitam ao país regressar a um crescimento potencial acima da média da Zona Euro e da UE. |